Shakespeare – Soneto 18

12 09 2009

Edu, são poucas as palavras que tenho para descrever o que sinto por você (se elas conseguirem descrever). Então vou compará-lo ao dia de verão de shakespeare: que é raro de acontecer, mas é o mais belo que se pode viver. Você é minha raridade, minha força, meu mundo, minha doce razão, meu dia de verão. Te amo

Mari

XVIII

Shall I compare thee to a summer’s day?
Thon art more lovely and more temperate.
Rough winds do shake the darling buds of May,
And summer’s lease hath all too short a date.
Sometime too hot the eye of heaven shines,

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Ausência – Vinícius de Morais

28 08 2009

Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar seus olhos que são doces…

Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres exausto…

No entanto a tua presença é qualquer coisa, como a luz e a vida…

E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto…

E em minha voz, a tua voz…

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Volúpia imortal

25 08 2009

Cuidas que o genesíaco prazer,
Fome do átomo e eurítmico transporte
De todas as moléculas, aborte
Na hora em que a nossa carne apodrecer?!

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Para o Sexo a Expirar – Carlos Drummond de Andrade

21 08 2009

Para o sexo a expirar, eu me volto, expirante.
Raiz de minha vida, em ti me enredo e afundo.
Amor, amor, amor – o braseiro radiante
que me dá, pelo orgasmo, a explicação do mundo.
Pobre carne senil, vibrando insatisfeita,

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A Rua de Rimas – Guilherme de Almeida

21 08 2009

A rua que eu imagino, desde menino, para o meu destino pequenino
é uma rua de poeta, reta, quieta, discreta,
direita, estreita, bem feita, perfeita,
com pregões matinais de jornais, aventais nos portais, animais e varais nos quintais;
e acácias paralelas, todas elas belas, singelas, amarelas,
douradas, descabeladas, debruçadas como namoradas para as calçadas;
e um passo, de espaço a espaço, no mormaço de aço baço e lasso;
e algum piano provinciano, quotidiano, desumano,
mas brando e brando, soltando, de vez em quando,
na luz rara de opala de uma sala uma escala clara que embala;
e, no ar de uma tarde que arde, o alarde das crianças do arrabalde;
e de noite, no ócio capadócio,
junto aos lampiões espiões, os bordões dos violões;
e a serenata ao luar de prata (Mulata ingrata que mata…);
e depois o silêncio, o denso, o intenso, o imenso silêncio…
A rua que eu imagino, desde menino, para o meu destino pequenino
é uma rua qualquer onde desfolha um malmequer uma mulher que bem me quer…

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Velocidade

21 08 2009

Não se lembram do Gigante das Botas de Sete Léguas?
Lá vai ele: vai varando, no seu vôo de asas cegas,
as distâncias…
E dispara,
nunca pára,
nem repara
para os lados,
para frente,
para trás…

Vai como um pária…

E vai levando um novelo embaraçado de fitas:
fitas
azuis,
brancas,
verdes,
amarelas…
imprevistas…

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Fantasia do Autor – Fernando Paixão

21 08 2009

Digo que a poesia
é um modo de ser
criança – cria
para onde quer.

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Canção Mínima – Cecília Meireles

21 08 2009

No Mistério do Sem-Fim
equilibra-se um planeta.

E, no planeta um jardim,
e, no jardim, um canteiro;

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Vogais

20 08 2009

A negro, E branco, I vermelho, U verde, O Azul: vogais,
Direi algum dia vossos nascimentos ocultos:
A, negro espartilho peludo das moscas tumultos
Rondando fedores cruéis demais,

Golfos de sombra; E, candura de vapor e de tenda,
Lanças de geleiras altivas, reis brancos, tremor de umbelas;
I, púrpuras, sangue cuspido, riso dos lábios belos
Na cólera ou na embriaguez oferenda;

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Campesina

20 08 2009

Entre los surcos tu cuerpo moreno
es un racimo que a la tierra llega.
Torna los ojos, mírate los senos,
son dos semillas ácidas y ciegas.

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